O Risco da Patologização no Debate Político
O que define a Demência (Critérios Clínicos)
Para que alguém seja diagnosticado com demência (ou Transtorno Neurocognitivo Maior, segundo o DSM5), não basta observar falas polêmicas ou lapsos de memória pontuais. Os critérios exigem:
Declínio Cognitivo Significativo: Uma queda notável em domínios como atenção, função executiva, aprendizado, memória, linguagem ou percepção motora.
Perda de Autonomia: O declínio deve ser grave o suficiente para interferir na independência das atividades diárias (pagar contas, gerir medicamentos, etc.).
Evidência Objetiva: Necessidade de testes neuropsicológicos padronizados e, muitas vezes, exames de imagem cerebral.
Por que a patologização é problemática?
Esvaziamento do Debate Político: Quando transformamos decisões políticas ou traços de personalidade em "doença", deixamos de discutir as ideias, as escolhas e o impacto real das ações daquela pessoa na sociedade.
Estigma das Doenças Mentais: Usar diagnósticos como insulto ou rótulo depreciativo prejudica milhões de pessoas que realmente convivem com condições neurodegenerativas, reforçando o preconceito de que quem tem um transtorno mental é "incapaz" ou "perigoso".
Falta de Rigor Científico: Personalidades políticas operam sob alto estresse e usam a linguagem de forma estratégica. Confundir o estilo de comunicação de um candidato com patologia ignora a complexidade da psicologia política.
Conclusão: Podemos e devemos criticar posturas, falas e decisões governamentais. No entanto, o diagnóstico médico deve ser restrito ao ambiente clínico. Fora dele, o uso desses termos serve apenas para obscurecer a análise política e desrespeitar a ciência médica.
texto: Neuropsicóloga, Profa Especialista Educação Geórgia Lyma
CRP 05-52689